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terça-feira, 17 de junho de 2014

BIBLIOGRAFIA - INDICAÇÕES DE LIVROS SOBRE INVESTIMENTO - PARTE 2

20 comentários : Postado por soulsurfer às 06:37 Marcadores: Finanças Pessoais , Livros Finanças


LIVROS AVANÇADOS

                Colegas, os livros dessa seção já são mais complexos e muito mais aprofundados sobre diversos temas. Ler estes livros sem ter um bom domínio sobre diversos aspectos do mercado financeiro, o que vim a descobrir há mais de um ano atrás quando tentei ler um deles, não é recomendável. Um investidor amador, como a esmagadora maioria dos investidores da blogosfera, precisa ler estes livros? Eu creio que não. Se assim o é, por que você os cita Soul? Ora, a razão é simples. Se especializar, se aprofundar num tema como esse mal não irá fazer, muito pelo contrário. Além do mais, eu creio que os conhecimentos financeiros podem ser aproveitados durante toda a vida, e em diversos outros ambientes que não o mercado de capitais. Pego o meu exemplo específico. Quanto mais vou aprofundando minhas leituras, mas sinto que vou compreendendo, nem que seja levemente, o “esquema mais geral das coisas”. Assim, eu me sinto mais capaz de pensar por mim mesmo acerca de um assunto que, sem algum conhecimento mais específico, seria bem mais difícil.




- “Avaliações de Empresas”–  do Aswath Damodaran
                Sim! É o famoso livro que nosso colega DI Marcinho gosta bastante de citar ao falar sobre Valuation. Como ele, eu também não passei do quarto capítulo, pois comecei a ler o livro há um ano atrás, e não estava preparado teoricamente. Hoje em dia, sinto que a leitura dele seria muito mais útil, e pretendo voltar assim que terminar alguns livros que atualmente estou lendo. O livro é muito bom. Algumas pessoas sem conhecer o que o Damodaran faz o criticam como se ele fosse algum autor que tivesse inventado um método de “fique rico com o mercado acionário”. Nada mais falso. Se você gosta de “boas empresas”, se acha que filtros fundamentalistas são essenciais para montar o seu portfólio, então Damodaran é o cara que vai te ensinar como aprofundar esses filtros, como olhar com outros olhos para balanços de empresas e para o mercado como um todo. Muitos não percebem que ao fazer a valoração de uma empresa, se deve passar necessariamente por muitos filtros fundamentalistas. Ao se escolher empresas, ou ativos, sem usar Valuation, está se fazendo na verdade uma análise fundamentalista mais superficial.  Pô, Soul, quer dizer que então preciso aprender esse raio de Valuation? Não necessariamente, e aqui os autores citados nos livros introdutórios, e em sites como bastter tem razão. Se você poupar mais do que ganha, se você ganhar bem,  aplicar filtros fundamentalistas mínimos, diversificando seus investimentos, e se mantendo fiel a uma estratégia de investimento por dezenas de anos,  a probabilidade de ter um patrimônio suficiente para os objetivos financeiros traçados é muito grande. Porém, é inegável que análises feitas com a utilização de algumas técnicas ensinadas pelo método de Valuation são de extrema valia, mesmo que para atividades fora do mercado acionário, como empreendedorismo, por exemplo. Enfim, é um grande livro, mas ele cobra dedicação e conhecimento prévio.


- “Avaliação de Investimentos” do Aswath Damodaran
                Pô, tá de brincadeira, mais um livro do Damodaran? Pois é. Eu ainda não li esse livro, apenas folheie algumas páginas na biblioteca de uma universidade uma vez. O livro parece ser bem completo, e é uma análise sobre como avaliar qualquer tipo de investimento e não apenas empresas. Pretendo lê-lo também.





- “Expected Returns” do Antti Ilmanen
                Estou lendo atualmente esse livro. É um calhamaço de 600 páginas daqueles livros que possuem folhas grandes e letras pequenas. Como definir esse livro? Como o próprio nome diz é focado em retornos esperados. O que isso quer dizer? Lembra do equity premium (retorno esperado a mais que alguém recebe por assumir o risco de investir em ações) que abordei no artigo http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/acoes-os-tres-fatores-de-risco-de-fama.html, pois então esse é um livro extremante aprofundado sobre estes retornos esperados.  O livro é uma grande descrição de como está o “estado da arte” no que se refere ao mundo das finanças. Ele aborda absolutamente tudo: retornos históricos, Capital Asset Price Model, prêmio acionário, prêmio por iliquidez, prêmio inflacionário, estratégias de value, carry, momentum, renda fixa de forma aprofundada, riscos da renda fixa, tail risks, e muito mais. É um grande compêndio financeiro. O livro possui muitas informações, e a cada 10 páginas equivale, sem nenhum exagero, a leitura de um livro intermediário sobre finanças dado a riqueza de detalhes. O autor é um cara extremamente experiente, é gestor de um dos maiores fundos hedge da Europa, foi conselheiro do fundo soberano da Noruega (para quem não sabe, esse é o fundo que a Noruega constituiu para administrar o superávit em petróleo. Atualmente possui mais de 800 bilhões de dólares, para se ter uma ideia do tamanho é quase cinco vezes o patrimônio da empresa do W. Buffett), e trabalhou em diversas empresas financeiras gigantes. Enfim, é um cara com extrema experiência prática e conhecimento.  Se você gosta de finanças, se lê com certo prazer sobre o tema, é um belo livro, e traz temas que nem em sonho são abordados no mercado brasileiro.

- Artigos Acadêmicos
                Aqui não são bem livros, mas artigos escritos por acadêmicos. Não são de fácil leitura e envolvem geralmente estatística pesada (estatística T, regressões, erros padrões, etc). Citei um, que foi seminal no mundo de investimentos, escrito em 1992 pelos professores Fama&French no meu artigo http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/acoes-os-tres-fatores-de-risco-de-fama.html. Ler estes artigos apenas faz sentido para quem talvez queira seguir carreira na área ou tenha um interesse muito grande no assunto

- Análise quantitativa
                Colegas, até agora basicamente tratei de análise qualitativa. Entretanto, a nova fronteira em finanças são as análises quantitativas. É extremamente complexo, utilizam-se modelos matemáticos muito fora da minha compreensão, e geralmente só Phd em matemática ou física para trabalhar com isso. Esses modelos complexos varrem o mercado em busca de micro-ineficiências para utilizar alguma forma de arbitragem estatística. Às vezes se utilizam de transações que ocorrem em menos de um segundo (as chamadas High frequency trading – transações feitas numa velocidade que apenas computadores podem operar), e operam muitas vezes fora do mercado normal (sim há isso também, o mundo é muito mais estranho do que vemos no dia a dia da mídia e dos livros básicos). Esperava-se que depois do colapso de 2008, onde as análises quantitativas tiveram um protagonismo importante, haveria uma redução da importância dos quants (termo que se dá aos que utilizam análise quantitativa) nos mercados financeiros, entretanto isso não ocorreu, conforme um artigo que li recentemente, muito pelo contrário. Escrevo sobre análise quantitativa apenas por curiosidade, pois quem realmente quer aprender análise quantitativa deveria o fazê-lo para ganhar milhões de dólares por ano em alguma firma de investimento, estrangeira de preferência, sabedor que terá que dedicar muitos e muitos anos para adentrar nos mistérios e complexidade dessa forma de análise.

                É isso pessoal. Quem tiver vontade e paciência de ler todos os livros em ordem de complexidade do iniciante ao avançado, creio que no final atingirá um razoável grau de conhecimento sobre os mercados. Se não o suficiente para sair ganhando 20/25% aa (o que algumas pessoas pensam ser possível, mesmo sem qualquer conhecimento mais profundo, num grande ato de auto-engano, conhecido nas finanças comportamentais como overconfidence), pelo menos para formular as próprias idéias sem seguir cegamente quem quer que seja, bem como para sobreviver e prosperar no mercado com mais segurança, e esse é o meu objetivo primordial de dedicar tanto tempo a esta parte do conhecimento humano: poder alcançar e manter minha IF com certa segurança do que estou fazendo, sabedor é claro que podem ocorrer diversos cisnes negros e tudo ir para o saco, mas daí estamos falando de coisas completamente fora do nosso controle.


- LIVROS QUE TRATAM SOBRE FINANÇAS DE FORMA MAIS GERAL E LÚDICA

                Colegas, aqui são livros que tratam sobre diversos temas desde bolhas imobiliárias (que é um assunto que atrai muita atenção de jornalistas econômicos) a quants. São livros divertidos e muitas vezes instrutivos de se ler. Cito apenas alguns, há diversos outros. O último livro que cito é uma obra-prima sobre um tema extremamente atual e interessante: finanças comportamentais




- “Crash” do Alexandre Vergignassi
            Este é um livro escrito por um jornalista que trabalha para a superinteressante. É um livro bem bacana e foca na história de diversos “crash” de forma bem lúdica. Uma das coisas mais interessantes que li foi saber que no antigo império romano se tentou congelar preços e em menos de três meses começou a ocorrer desabastecimentos (alguma semelhança com o Brasil da dedada de 80, ou nossos hermanos argentinos e venezuelanos atualmente?). Recomendo




- “Bumerangue” do Michael Lewis
                O autor possui diversos livros sobre W. Street, mercados, etc. Nesse, o autor tentar contar a história da crise de 2008 na perspectiva de alguns países protagonistas como Grécia, Islândia, Irlanda e Alemanha. Acha que estamos numa bolha imobiliária no Brasil? É porque você não viu o que ocorreu na Irlanda. Acha que é só no Brasil que o pessoal passa preços inferiores na escritura quando compra e vende um imóvel para pagar menos imposto? É porque você não leu mais profundamente sobre a Grécia. Aliás, as semelhanças da Grécia com o Brasil em muitas matérias é aterradora. Eu fico imaginando que daqui uns 30 anos (quando seremos um país muito mais envelhecido) talvez a gente se transforme numa Grécia piorada, se não abrirmos nossos olhos para os diversos desafios e problemas que nosso país possui para os próximos 20 anos. Quer ver um país inteiro ficar louco pela ganância? Veja o caso da Islândia. O livro é muito bem escrito e divertidíssimo, e nos dá uma panorâmica da crise européia iniciada em 2008.


 
- “Mentes Brilhantes, rombos Bilionários” do Scott Paterson
                Este é um livro focado na crise de 2008 pela perspectiva dos quants. Os quants são aqueles gênios que modelam atualmente o mundo das finanças em busca de retornos superiores.  O livro é interessante, mas não é tão massa de ler como um “Bumerangue”. O mais interessante é que os personagens do livro são tão brilhantes e geniais que você acha que eles não existem de verdade. Qual foi a minha surpresa ao ver que o livro “Expected Returns” foi prefaciado por um deles: Clifford Asness.



- “Salve-se quem puder”  Edward Chancellor
                É um livro sobre bolhas. Desde a famosa bolha das tulipas, as bolhas nas IPOs (sim, a história de bolha em IPO é antiga) da Inglaterra do século 18, passando pelo crash de 29, a bolha japonesa, bolha tecnológica e muito mais. Como o livro é um pouco mais antigo, o crash de 2008 não é tratado. É um livro interessante para vermos que a loucura humana sempre existiu, e é possível que continue existindo. Talvez em nossas vidas financeiras nós nos deparemos com situações como essa, cabe a nós tentar evitar as armadilhas, e até mesmo prosperar em cenários como esse.

               


- "Rápido e Devagar" do Daniel Kahneman

           Eu parei de ler mais ou menos na metade nesse livro no ano passado, e ainda não voltei. Para quem não conhece o Kahneman ele foi, junto com Amos Tversky infelizmente já falecido, o fundador da área de estudo chamada finanças comportamentais. O tema é muito vasto e merece um artigo próprio. Resumidamente, as finanças comportamentais vão colocar em cheque a crença de que os agentes são seres racionais maximadores de utilidade. Há um grande debate, muito em parte pelos ensinamentos das finanças comportamentais, se a teoria dos mercados eficientes pode se sustentar ou não, já que a mesma é baseada em agentes racionais. Há diversos livros que trata sobre o tema, mas nada melhor do que ir na fonte, e esse é um grande livro para se fazê-lo. Acha que pode bater o mercado com pouco conhecimento e pouca prática? As finanças comportamentais explicam. Está maravilhado com os retornos conseguidos nos últimos meses ou ano (o que é conhecido como um erro de extrapolar os resultados recentes para o futuro, dando um grau menor de importância para os resultados mais antigos, o que é outro erro)? As finanças comportamentais explicam. É um grande campo de estudos para nos deixar mais conscientes das nossas limitações e para diminuir as nossas eventuais grandes expectativas com os mercados. Como já dizia Sócrates: "Homem, conhece-te a ti mesmo", não há nada melhor do que estudar finanças comportamentais para conhecer nós mesmos, pelo menos sobre a ótica de investidores.


            Há muitos livros sobre estes temas. E tenho certeza que os colegas conhecem diversos outros. Os livros aqui citados foram apenas uma sugestão de leitura.


LIVROS SOBRE FII/REITS


               A literatura sobre FII no Brasil é quase inexistente. Uma literatura mais profunda sobre FII simplesmente não existe no Brasil. Como é um instrumento financeiro que gosto bastante, e como sei que muitas pessoas também gostam, indico algumas leituras.


- “Introdução aos Fundos de Investimento Imobiliário” do Andre Bacci
                O André é um dos colaboradores do site Bastter. É um sujeito bem inteligente e esforçado, e entende bastante de FII, principalmente dos de papel. Ele possui um e-book, não consegui capturar nenhuma imagem para colocar aqui, sobre FII. É um livro bacana e interessante para quem está iniciando no mundo dos FII, sendo que há alguns capítulos bem legais sobre legislação e declaração de IR nos FII.


- “Fundos de Investimento Imobiliário” do Cristian Tetzner
                O Tetzner possui um livro sobre FII. Infelizmente, nunca o li, mas se o livro for tão organizado e caprichoso como o seu BLOG, creio que deve ser uma leitura bacana.






-Artigos do Soulsurfer sobre o tema no Blog Pensamentos Financeiros

                Pô, deixa eu vender o meu peixe aí! Ehhehe Creio que a leitura dos meus artigos sobre o tema, modéstia a parte, podem dar bons insights sobre os FII, bem como para sua importância e finalidade dentro de um portfólio. Cito os seguintes artigos: http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/01/fii-pessimo-negocio.html (primeiro artigo sobre a importância e finalidade dos FII como geradores de renda), http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/02/comentarios-sobre-fii-fundos-com-rmg-e.html (um dos sete artigos sobre análise de cada FII em particular),  http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/04/fii-meu-rating-pessoal-dos-fundos.html (meu rating com os melhores FII), http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/04/reits-um-estudo-sobre-suas.html (estudo sobre os REITs em mais de 12 temas diferentes. Foi um dos bons artigos que escrevi, e não lembro de ter visto nada parecido escrito em língua portuguesa), http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/04/fii-vamos-de-all-in.html (artigo sobre diversificação em FII, e por qual motivo concentrações muito altas podem carregar riscos altos, sem retornos tão maiores),  http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/fii-minha-carteira-meus-erros-e-meu.html (falo sobre minha carteira em FII e meus erros, e tento passar a ideia que a busca por uma carteira "perfeita" em FII é algo que apenas vai consumir o seu tempo, e não vai te trazer retornos adicionais)http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/investimentos-imoveis-proprios-fii-cap.html (artigo fazendo uma comparação com imóveis próprios, abordando diversos aspectos, creio que é um bom artigo para refletirmos sobre as vantagens dos FII como geradores de caixa) e http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/fii-parametros-objetivos-para-analise-e.html (artigos sobre filtros prévios para análise de um FII).
Eu creio que com a leitura desses artigos, combinada com um estudo dos FII individualmente por conta própria, é material mais do que suficiente para a pessoa montar uma carteira boa de FII, e evitar algumars armadilhas.



- "Investing in Reits" Ralph L. Block
Se alguém realmente quer entender mais profundamente sobre FII (além de ler os meus artigos! brincadeira:)), esse livro é leitura imprescindível. Apesar de ser focado em REITs (os FII americanos, ou os FII seriam os REITs americanos?), inúmeras questões são analisadas detidamente no livro: gestão passiva x gestão ativa, alavancagem, diferenças setoriais, requisitos objetivos de um bom REIT, retornos históricos, riscos, alocação ideal de REITs num portfólio, e muitos outros temas. Foi por meio da leitura desse livro, e pelo meu estudo sobre REITs, que fiquei mais confortável em destinar 25/30% do meu patrimônio para investir em FII (é a alocação que espero chegar no futuro, pois vou indo aos poucos).


             Colegas, depois de completado esse ciclo de livros, eu gostaria de me aprofundar mais em análise técnica e derivativos. Sendo assim, se alguém possuir material de iniciante até intermediário sobre análise técnica (já li um livro sobre Candles e estou vendo alguns vídeos na internet) e sobre derivativos para indicar ficarei bastante agradecido.

            É isso colegas, espero que tenham gostado destes últimos dois artigos sobre indicações bibliográficas e de que alguma maneira possa ser útil para alguém.

               Grande abraço!






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sábado, 14 de junho de 2014

BIBLIOGRAFIA - INDICAÇÕES DE LIVROS SOBRE INVESTIMENTO - PARTE 1

30 comentários : Postado por soulsurfer às 15:31 Marcadores: Finanças Pessoais , Livros Finanças
                Olá colegas!  A colega Paris2022  perguntou sobre alguma indicação bibliográfica. Vou fazer um passeio sobre os livros de finanças em português, mas também em Inglês (infelizmente a literatura de mais profundidade apenas em língua inglesa). Alguns dos livros citados eu não li, mas como já vi referências sobre eles, irei citá-los mesmo assim.

LIVROS  PARA QUEM PENSA CONSIGO MESMO “DO QUE ELES ESTÃO FALANDO?”

                Aqui são livros destinados a pessoas que nunca pensaram seriamente sobre educação financeira. Provavelmente, essa é a fase mais importante da educação financeira de uma pessoa. É o momento que vários insights serão formados, que a pessoa poderá perceber que altos salários não necessariamente redundam em altos patrimônios, e que devemos concentrar em ter ativos, não passivos. São vários livros nessa linha, cito alguns:




- “Pai rico, Pai pobre” de Robert T. Kiyosaki
É um livro criticado por alguns pela ausência de profundidade. Entretanto, um livro desses tem que ser tudo, menos profundo. É um bom livro para as pessoas começarem a meditar sobre atitudes financeiras mais inteligentes.

- “Investimentos” de Mauro Halfed
Esse é um livro diferente do “Pai Rico, Pai Pobre”, e foca mais em explicar alguns veículos financeiros, não tem a pretensão de discorrer sobre conceitos mais gerais como o livro citado.  É um livro interessante e pode ser lido em algumas horas. O autor sempre comenta na CBN sobre finanças (quando vai se aprendendo um pouco mais sobre finanças, percebe que o comentarista às vezes fala algumas bobagens, mas como educação financeira os comentários são bons).




- livros Conrado Navarro
Depois do Mauro, o Conrado é o mais conhecido educador financeiro. Há vários livros dele, eu li apenas metade de um, não me lembro qual, quando estava na livraria esperando alguma coisa. São livros razoáveis para quem está começando a jornada em educação financeira.




- “O milionário mora ao lado” de Stanley e Danko
Este livro eu nunca li, mas há pessoas que falam bem a respeito. Pretendo ler, pois pelo que li em algum lugar é mais um estudo sociológico do que um livro na linha de “Pai Rico, e Pai Pobre” – que não tenho nenhuma vontade de ler mais algo parecido.

                

     
          Há muitos outros livros nesse nicho. Não há qualquer necessidade de ler mais de dois ou três livros nessa categoria.


LIVROS PARA INICIANTES


                Aqui já são livros para quem já aprendeu a importância das finanças em sua vida, e quer começar a desvendar o mundo aparentemente complexo por trás de números e nomes complicados como Fundos Imobiliários, Debêntures, derivativos, etc. Há muitos livros para se ler também, e felizmente livros em português.




- “Investindo em Small Caps” de Anderson Lueders
Esse é o livro do amigo Anderson. Já li duas vezes, e é muito bem escrito e organizado. Aqui, a pessoa pode ter um primeiro contato com métricas fundamentalistas (P/L,P/VP, margens, etc) de uma maneira fácil de compreender. É um bom ponto de começo, antes de ler outros livros.





- “O Investidor Inteligente” de Benjamim Graham
                Esse aqui é um clássico da década de 60. Deveria ser lido por todos que querem investir, principalmente de forma ativa. O autor foi o primeiro, pelo menos de forma sistemática, a analisar ações por meio de filtros prévios fundamentalistas, e a considerar que as ações poderiam ter preços justos, o que leva a ações estarem sobre ou sub avaliadas. O seu grande livro é “Security Analyses” escrito na década de 30, porém este livro é mais técnico e não possui tradução para o português. 




- “Ações comuns, Lucros extraordinários” de Philip Fischer
                Esse é um  livro clássico de Philip Fischer da década de 50. Para quem não sabe, Fischer foi um dos mentores de W.Buffett. Foi dele que o nosso amigo de Omaha veio com a máxima “empresas com vantagens competitivas a preços razoáveis”.  O Graham queria comprar ações baratas, o Fischer não se importava em pagar múltiplos esticados, mas não muito, se a empresa fosse, baseado em seus critérios que são bem objetivos (não é algo meio que subjetivo de dizer que uma empresa é simplesmente "boa" e deve a atender a critérios do investidor, sem especificar quais seriam estes), muito boa. O Buffett resolveu pegar o melhor dos dois mentores, e veio com empresas com vantagens competitivas a preços razoáveis (atenção, não a qualquer preço).
Ótimo livro. Recomendo a leitura.


- Faça Fortuna com ações, antes que seja tarde” de Décio Bazin e “O mercado acionário em 25 episódios” do Paulo Portinho
                Eu não li esses dois livros (apenas uma parte do livro do portinho). Entretanto, sempre ouvi falar muito bem desses livros, e creio que seja uma boa leitura. O portinho possui um blog, e é um cara que entende bastante sobre o mercado. Os livros, pelo que já ouvi falar, tratam do mercado acionário com uma abordagem simples para quem ainda não está habituado.






- “Warren Buffett e análise de balanços” de Mary Buffet
Este é um livro simples que se pode ler em duas horas. É interessante para quem nunca se deparou com uma balanço de uma empresa e nunca teve que refletir a respeito. Porém, este livro está longe, em minha opinião é claro, de ensinar qualquer estratégia que já não esteja devidamente precificada. Basta refletirmos se a leitura de um livro em duas horas seria suficiente para descobrimos “jóias” escondidas no mercado acionário, com suas vantagens competitivas duráveis a preços razoáveis. Parece-me que estaríamos nos auto-enganando. As coisas são simples, mas não tão simples.  Entretanto, é um bom livro para quem está começando a ler sobre investimentos.




- “O jeito Peter Lynch de investir” de Peter Lynch
                Eu não li esse livro, mas pretendo.  O nosso amigo Além da Poupança gosta bastante dele. Pelo pouco que sei o Lynch gosta de empresas de crescimento com desconto nos múltiplos (e quem não gosta?), o que na verdade nada mais é do que empresas com PEG  (PRICE/ERNIGNS/GROWTH) baixo. Deve ser uma boa leitura.



Há inúmeros outros livros como “Bola de Neve”, “O Jeito Ken Fischer de investir”, etc. Entretanto, a partir de certa leitura, os livros talvez começarão a se tornar repetitivos. Logo, não há necessidade de ler todos os livros aqui listados.


LIVROS INTERMEDIÁRIOS

                Estes já são livros para quem compreendeu os fundamentos do funcionamento do mercado de capitais e seus conceitos básicos e deseja se aprofundar em temas um pouco mais complexos. Há alguns livros traduzidos para o português, mas boa parte da literatura é em língua inglesa.




-  “Investindo em ações no longo prazo” do Jeremy Siegel
                Este é um livro interessante do professor Jeremy Siegel. Muitos dados são apresentados, e é muito trabalhado no livro a questão de prêmio pelo risco (equity premium se falarmos do mercado acionário). É uma boa leitura para se acostumar com alguns dados históricos do mercado.






- “Valuation – Como precificar ações” do Alexandre Póvoa
                Este é o único livro brasileiro nessa categoria. Foi escrito por um gestor financeiro de banco, se não me engano. Aborda a forma de tentar encontrar o valor intrínseco de uma ação de uma forma bem didática. O livro é bacana, e a primeira parte é dedicada a análise de alguns filtros fundamentalistas, sendo que o restante do livro é devotado a valuation.






-“ All About Asset Allocation”  do Richard Ferri
                 Um ótimo livro que trata sobre alocação de ativos. Por qual motivo matemático e lógico devemos diversificar? O livro tenta responder essa pergunta, e por meio da introdução de conceitos como fronteira eficiente, volatilidade dos retornos, portfólio otimizados, muitos conceitos interessantes são apreendidos.







- “The Intelligente Asset Allocator”  do Willian Berstein
                Livro que também trata sobre asset allocation do conhecido Berstein.  É um livro um pouco mais aprofundado do que o de Ferri, com alguns insights bem interessantes. Creio que a leitura de ambos os livros é suficiente para se ter uma boa noção do cabedal teórico do asset allocation.








-  “The Quest for Alpha” do Larry E. Swedroe
                Esse é um livro bacana que foca única e exclusivamente em analisar se a busca por alpha (termo utilizado no mercado financeiro para retornos em excesso, depois de ajustado pelo risco, sobre um determinado benchmarket) produz resultados ou não. O autor analisa dezenas de estudos sobre fundos de pensão, fundos hedge, fundos de investimento e investidores individuais. Os dados são aterradores de como uma estratégia ativa é derrotada, por larga vantagem, por uma simples gestão passiva. Em relação aos investidores não profissionais então (pessoas físicas)  a diferença é absurda. Todos aqueles que acreditam no mantra da gestão ativa como escolher “boas empresas” deveriam ler este livro para ao menos refletirem para saber se horas dedicadas a análise de empresas e balanços realmente produz algum resultado satisfatório, principalmente se levarmos em conta o custo de oportunidade.


-  “A random Walk Down Wall Street”  do Burton G. Malkiel
                O livro é um clássico da década de 70. É uma leitura bem bacana sobre diversas teorias, sobre mercados eficientes, sobre como analisar P/L de uma maneira mais profunda, sobre como graus de precificação elevados podem alterar retornos esperados (algo bem mais complexo que é tratado de forma mais sistemática em  livros mais avançados) e muitos outros tópicos. Recomendo bastante a leitura.






- “What Has worked in investing” – paper da Tweedy and Browne company
                Esse é um paper interessantíssimo feito por uma firma de investimento acerca do que tem provado ser a melhor forma de se investir. O paper advoga os retornos superiores de uma estratégia baseada em valor, baseando-se para tanto em dezenas de estudos feitos em diversas partes do mundo. É muito interessante mesmo, principalmente para mim o estudo que trata de yield e payout, que para mim é um dos grandes filtros fundamentalistas que atualmente eu dou grande prevalência.


-  “Value Averaging” do Michael E. Edleson
                Não, colegas, comprar sem se importar com o preço não é algo nem remotamente novo. São estratégias há muito tempo conhecidas como DCA (dollar cost averaging – a todo período pré-determinado compra-se o mesmo valor em dólar – no nosso caso seria em reais) ou Value Averaging (a cada período se faz com que o investimento cresça por um determinado valor pré-determinado). O livro creio que é de muita valia para quem quer comprar sem olhar a cotação (apesar de funcionar melhor com ETF), pois o DCA é até razoavelmente conhecido, mas o value averaging não, e esta forma de investir produz retornos maiores do que um simples DCA. O autor trabalha muitas variáveis, e é uma leitura interessante.



-“Mitos de Investimento” do Damodaran
                É um livro bem interessante e aborda alguns “mitos” de investimento, como vale a pena investir em empresas com baixo P/L e baixo P/VP? A estratégia contrária (ou seja comprar quando caiu ou vender quando subiu) possui alguma vantagem? É um livro relativamente simples, mas bacana por tentar abordar essas perguntas usuais de uma maneira mais sistemática.

           


 Há muitos outros livros nesta categoria. O Berstein tem inúmeros (Against the Gods,  The investor´s Manifesto, etc), por exemplo, e há vários outros autores. Meu intuito não foi fazer uma revisão completa, até porque seria humanamente impossível, mas apenas apontar alguns livros para se dar uma panorâmica um pouco mais completa dos mercados financeiros.


                É isso aí, na continuação falo de livros avançados, livros sobre finanças, mas com outros enfoques e um pouco sobre literatura em FII.
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sexta-feira, 13 de junho de 2014

COPA - COMEÇAMOS MAL...

26 comentários : Postado por soulsurfer às 08:27 Marcadores: Brasil , Reflexões

                Colegas, estava terminando o meu artigo sobre recomendações de leitura, mas depois dos acontecimentos de ontem, resolvi escrever sobre minha visão. Vou escrever sobre três fatos que infelizmente para mim denotam muitas características atuais da nossa sociedade brasileira.

                Primeiramente, foi o quase “boicote” para algo simplesmente fabuloso. Refiro-me ao exoesqueleto fruto do trabalho da equipe do professor Miguel Nicolelis. Para quem não sabe, este cientista é o mais cotado para ser o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio Nobel, e se o fizer será na área da ciências, e não em prêmio como de literatura e paz (que são importantíssimos, e geralmente são os únicos prêmios que pessoas de países mais pobres ganham). O trabalho dele é interessantíssimo e está na vanguarda da ciência. Ele trabalha a interface homem-máquina, e este brasileiro pode dar contribuições absolutamente fabulosas para a humanidade.  Além do mais, Nicolelis possui um projeto educacional interessantíssimo sendo realizado no Nordeste. A ideia dele é levar ensino de alta qualidade para regiões carentes educacionalmente falando. Em suma, o cara é um brasileiro para se ter orgulho e tirar o chapéu.

                                              Miguel Nicolelis, grande cientista brasileiro

                Pois bem, lembro de uma entrevista dele no roda viva da TV cultura há uns anos atrás, ele dizendo que se empenharia bastante para fazer com que um tetraplégico desse o pontapé inicial para a copa do mundo usando um exoesqueleto montado por sua equipe. Para mim, esse seria o auge da abertura da copa, mostrar para o mundo que o Brasil estava mudando, que nós somos capazes de produzir conhecimento científico de alta qualidade. Para minha completa frustração, não só esse ato sensacional não foi destaque, como ele não foi sequer televisionado.  Isso me deu uma tremenda tristeza.  Ficamos uns bons cinco minutos mostrando uma música chata e repetitiva (logo  nós que possuímos uma riqueza musical que nenhum outro país do mundo tem), com dois estrangeiros cantando em inglês em PlayBack, e uma brasileira rebolando até o chão. Ficou muito claro para o que os brasileiros dão importância e relevo, e a ciência e o conhecimento não estão nem de longe em primeiro plano.

Experiência fantástica. Há centenas de eletrodos conectados ao cérebro do rapaz, esses dispositivos "traduzem" a atividade eletromagnética do cérebro para estímulos que movimentam um exoesqueleto mecânico.

                O segundo fato lamentável foi o coro xingando com palavras de baixo calão a presidente da república. Ah, Soul, eu não gosto do PT, não gosto do governo, para mim estão fazendo um monte de bobagem, fazendo o Brasil retroceder, tem que protestar mesmo. Colega, eu tendo a concordar com quase tudo.  Creio que temos, enquanto sociedade e cidadãos, que mostrar nosso descontentamento.  Porém, há uma grande distância entre falta de respeito e baixo nível com um protesto legítimo.  Gostemos ou não, a Presidente Dilma estava naquela solenidade representando o Brasil.  Receber vaias seria do jogo democrático, ofender com xingamentos apenas demonstra com nós estamos regredindo no debate político no Brasil a olhos vistos.

                No filme tróia, quando o Rei de Tróia vai pedir a Aquiles que devolva o corpo do seu filho Hector para que ele possa ter um enterro digno, Aquiles diz que se ele entregasse o corpo do filho do rei, isso não representaria que eles não voltariam a ser inimigos no outro dia. O rei responde que eles continuariam sendo inimigos mesmo naquela oportunidade, mas que mesmo entre inimigos deve haver respeito. Se é necessário haver respeito mesmo entre inimigos de guerra, e é por isso que existe uma convenção internacional sobre condutas aceitáveis ou não na guerra – A Convenção de Genebra-, é mais claro ainda que deve haver respeito entre adversários políticos. Quando  o respeito é perdido, a possibilidade de diálogo diminui. Se o diálogo não é mais possível, a única forma de resolução de conflitos é pela violência. Se o conflito é grande e a sociedade é polarizada, isso descamba em guerra civil.

                Portanto, o respeito é fundamental para evoluirmos enquanto humanos e sociedade. O fato de alguns brasileiros terem xingado a própria presidente para todo o mundo assistir, apenas demonstra  a agressividade cada vez mais latente em nossa sociedade, bem como um total despreparo para conviver com o outro, algo que é cada vez mais fundamental em sociedades urbanas cada vez mais complexas. Eu imagino o exemplo que um pai ou uma mãe deram ontem ao xingar uma pessoa na frente de seus filhos. É assim que queremos construir um país melhor?

                Não gosta do governo, ou do partido que está no poder? Ótimo. Em outubro teremos eleições, participe do processo, tente influenciar positivamente outras pessoas, procure se informar. A polarização crescente do nosso debate político (coxinhas x petralhas, PIG, imprensa golpista, etc, etc) com críticas de caráter unicamente subjetivo (que são verdadeiras falácias) e não discussões de idéias apenas vai produzir um país pior.  Precisamos voltar a debater idéias no Brasil, se quisermos superar o desafio da renda média, como bem ilustrado pelo Troll no seu último artigo, e caminhar para um desenvolvimento social, econômico e humano desse país.

                Por fim, sabemos que o futebol brasileiro sempre foi de “malandragem”. Boa parte das pessoas até mesmo enaltece esse comportamento. Porém, convenhamos que isso não é das práticas éticas mais recomendadas. O jogador Fred ao simular um pênalti mostra que a tendência do brasileiro de se aproveitar da ingenuidade, credulidade ou erro de outras pessoas ainda está bem viva entre nós.  Ah, Soulsurfer, é do jogo, isso é viagem sua. Sim, pode ser do nosso jogo, mas não é algo comum de ocorrer em outros países, principalmente os europeus.  O problema é saber se esse tipo de comportamento não pode ser um mau exemplo para muitas outras pessoas que podem associar que é justificável certas atitudes de caráter ético duvidoso para obter algum fim específico. Como desejar transparência e seriedade na política, se talvez nós não nos comportamos assim no dia a dia? Tal fato se mostrado para todo mundo numa abertura de copa do mundo, apenas escancara o problema.

Fred desabando como um saco de batatas largado sobre a influência da gravidade. Precisamos realmente disso?

                Enfim, colegas, não gostei muito do que eu vi na abertura da copa. Vamos ver como se desenrola o resto do campeonato.


          Abraço a todos!
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quarta-feira, 11 de junho de 2014

REFLEXÃO - VIDA, A PERGUNTA FUNDAMENTAL

16 comentários : Postado por soulsurfer às 04:04 Marcadores: Boa Vida , Reflexões
                Olá amigos! Soulsurfer um pouco baleado por uma cirurgia feita na segunda-feira. Ficar de molho por alguns dias. Resolvi escrever, mas não vou me alongar muito em nenhum tópico. O pequeno artigo de hoje é sobre uma reflexão fundamental na vida de qualquer pessoa.

                Há um monge budista vietnamita chamado Thich Nhat Hanh que eu admiro bastante. Perguntaram para ele o que ele achava sobre a condição humana atual. A resposta dele foi  simples e brilhante ao mesmo tempo, e foi contada em forma de uma pequena história. Havia um homem cavalgando muito rápido sobre uma estrada. Um amigo deste homem intrigado por qual motivo o mesmo cavalgava de maneira tão rápida, perguntou para onde ele estava indo, sendo que o homem respondeu “não sei”, “pergunte ao cavalo”. Essa descrição, meus amigos, foi a mais perfeita que já vi sobre a condição humana atual.

                Você sabe onde está indo, ou está sendo conduzido de maneira inconsciente pelo cavalo (uma metáfora para a vida)? Os valores que você busca são seus, ou de alguma maneira foram aceitos acriticamente? Para responder a essa dúvida fundamental, eu criei a seguinte pergunta e exercício mental: SE EU TIVESSE APENAS MAIS TRÊS ANOS DE VIDA, A MINHA VIDA MUDARIA  COMPLETAMENTE, MUITO OU  POUCO?

                Por que razão escolheu o prazo de três anos Soul? Se o prazo fosse muito curto como um mês, parece-me claro que a vida iria modificar radicalmente, por mais satisfeita que a pessoa pudesse estar com a sua vida, afinal seria apenas mais um mês de existência. Se o prazo fosse muito longo, como 10/15 anos, uma pessoa não satisfeita com a sua vida poderia talvez continuar na mesma rotina, já que o mal morte ainda estaria localizado num futuro longínquo

             Logo, três anos não é um prazo longo, se fosse a sua vida em jogo, mas também não é um prazo curto. Portanto, assim evitam-se extremos de hedonismo radicalizado, no caso de prazos muito curtos, e imobilismo, no caso de prazos muito longos. Se a alguém fossem dados apenas mais três anos de vida, essa pessoa teria que refletir profundamente sobre os seus relacionamentos, seus objetivos, seu trabalho, enfim sua vida na totalidade.

                E você? Mudaria completamente a sua vida? Então, amigo, sua vida não está equilibrada, e quem, infelizmente, está conduzindo a sua vida é o cavalo, não você. Mudaria algumas coisas, mas no cômputo geral seguiria o rumo que tem tomado? Parabéns, isso mostra que você tem uma vida razoavelmente plena, precisando talvez de alguns ajustes apenas.  Foi ao fazer essa pergunta há alguns anos atrás que percebi que minha vida precisava de mais reflexão, e que precisava fazer ajustes para ter uma vida mais satisfeita comigo mesmo.

                Fica aqui a provocação, não esquecendo nunca que talvez daqui a três anos não estejamos vivos, e nunca é cedo demais para refletir sobre quem realmente está no controle das nossas vidas, bem como para onde nós realmente desejamos ir.

                                         Um grande homem: Thich Nhat Hanh

             Grande abraço a todos!


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terça-feira, 3 de junho de 2014

REFLEXÃO - AS TRÊS FINALIDADES DO DINHEIRO

52 comentários : Postado por soulsurfer às 16:13 Marcadores: Dinheiro , Reflexões
 "Quando a acumulação de riqueza já não for mais de alta importância social, haverá grandes mudanças no código moral. Estaremos em condições de nos desfazer de muitos falsos princípios morais que nos acorrentam por duzentos anos, e pelos quais temos exaltado alguns dos mais repugnantes atributos humanos como se fossem as maiores virtudes. O amor ao dinheiro como posse- algo distinto do amor ao dinheiro como meio para os prazeres e exigências da vida - será reconhecido pelo que é, uma morbidez bastante repulsiva, uma dessas propensões semicriminosas e semipatológicas que se conduzem com um arrepio para os especialistas em doenças mentais" John Maynard Keynes (1930)

"O pagamento em dinheiro tornou-se o único vínculo entre os homens" Thomas Carlye (1839)

"Quem liga para reputação se consegue agarrar o seu dinheiro?" Horácio (século I D.C.)

"A que não obrigas o coração, ó execranda fome de ouro (auri sacra fames)?" Virgílio (século I A.C.


"Quanto à riqueza, não há limite claramente definido. Pois aqueles hoje que dispõem das maiores fortunas entre nós possuem também o dobro da voracidade dos demais, e quem poderá satisfazer a todos?" Sólon (século VI A.C.)


                   Olá pessoal! As coisas estão um pouco corridas. Muitas idéias de investimento para analisar tudo ao mesmo tempo, e calhou de tudo concentrar em pouco menos de 10 dias, bem antes da data de uma cirurgia marcada. Sábado foi dia de adrenalina, e hoje também. Para dar uma relaxada, e uma pausa nesses estudos, resolvi escrever um artigo para o blog. O tema foi inspirado num post que li no excelente blog valores reais (http://www.valoresreais.com/2014/06/02/nunca-desperdice-oportunidade-de-fazer-o-bem-alguem-nunca/).

                Primeiramente, é bom deixar claro, vai que minha Mãe algum dia leia essa Blog e fique com ciúmes, que falo bastante do meu pai, pois é ele que mais gosta de finanças/economia. Porém, devo muito mesmo da minha formação à minha Mãe, mulher extremamente batalhadora que sempre me ensinou valores corretos como sempre fazer o bem e tratar todos, independente se é o presidente da Coca-Cola ou um mendigo pedindo alguma ajuda, de forma respeitosa, não prejudicar os outros, ir atrás dos sonhos, não se contentar com uma vida que não seja plena, entre tantas outras coisas boas que minha Mãe me passou.  Aliás, eu peguei o “vírus” de viajante muito por causa dela, que sempre está viajando e quando mais moça queria ser aeromoça para poder viajar o mundo.

                Feito esse pequeno adendo, interessante para uns, talvez desinteressantes para outros, posso começar a tratar do tema do artigo de hoje. Afinal, meu querido leitor pode estar pensando, o dinheiro tem alguma função para além de comprar coisas, de nos transformar em consumidores? Eu acho que sim, e essa função comumente associada ao dinheiro para mim é a mais vulgar entre as finalidades do "vil metal".

                O meu pai constantemente falava para mim, mesmo quando eu era uma criança/adolescente, que o dinheiro possuía três funções em ordem de nobreza ascendente: a) permitir a sobrevivência, e evitar que alguém possa cometer atos danosos a outras pessoas; b) a busca do conhecimento desinteressado e c) ajudar àqueles que realmente necessitam de ajuda. Vamos falar  sobre cada um deles.


SOBREVIVÊNCIA
               
                
             Essa é a relação principal, e quase sempre única,  que a esmagadora maioria da humanidade  possui com o dinheiro: a necessidade de possuí-lo para sobreviver. Sobrevivência aqui pode ser entendida num contexto mais amplo, não necessariamente apenas ligada às necessidades fisiológicas do nosso corpo. Logo, as pessoas precisam de dinheiro para poder ter um teto, para poder ter, em muitos casos, acesso a uma boa educação, à saúde, a bens de consumo que tornam a nossa vida mais confortável, etc.

                Metade da população humana vive com menos de dois dólares ao dia e 20% da população com menos de um dólar (http://www.unric.org/html/portuguese/uninfo/material_pedagogico/Pobreza.pdf, artigo muito bacana sobre essas estatísticas). Esse é um dado que para mim deveria estar na primeira página de todos os jornais do mundo, e não sair da primeira página até que esses números caíssem absurdamente. Dezenas de milhares de crianças morrem diariamente por ausência ou insuficiência de acesso a tratamentos mínimo de saúde, de saneamento e muitas vezes por simples fome (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130618_verdade_fome_slogans_fn.shtml. Isso significa milhões de crianças por ano. Esse é um dado que deveria ser passado antes de todos os programas de televisão, e apenas terminar quando diminuíssemos drasticamente esses números absurdos.  Portanto, nós não discutimos as misérias humanas e as grandes injustiças desse planeta, e elas não estão na pauta dos nossos líderes, e das sociedades humanas mais desenvolvidas, infelizmente.  Porém, esse é um papo para outro artigo.  O que quis destacar com esses tristes dados sobre nossa família humana, é que para a esmagadora maioria dos homens o dinheiro está ligado a uma questão de vida ou morte, de sobrevivência física do corpo. Se considerarmos uma definição mais ampla para sobrevivência, então eu não tenho dúvidas de que mais de 99% da humanidade possui uma relação estritamente de sobrevivência com o dinheiro. Por isso, aqui apenas divago sem ter a certeza se estou correto, talvez a esmagadora maioria das pessoas acredite que a única utilidade do dinheiro esteja no consumo, e em casos, que estão na fronteira de alguma desordem psíquica, no consumo desenfreado.

                Colegas, é claro que essa é uma parcela fundamental da utilidade do dinheiro nas sociedades modernas: permitir a nossa sobrevivência e acesso a bens mínimos de consumo. Não há qualquer mal nisso, e meu pai nunca disse isso, o que ele sempre chamou minha atenção é que havia outros dois objetivos a ser alcançado com o dinheiro.

 Trabalhadores em Serra Pelada. E pensar que uma parte significativa da humanidade ainda tem que se sujeitar a trabalhos como esse para sobreviver.
Algum campo de refugiados em algum lugar esquecido do mundo. Sempre admiro a frase do Patch Adams (já botei a entrevista monumental que ele deu no Roda Viva) que se orgulhava da Mãe dele ter criado ele e o irmão como Homens que sentem prazer de ir a campos de refugiados fazer o bem. Boa Patch! UNHCR - United Nations High Comossioner for Refugees. Acho que gostaria e muito de trabalhar nessa agência da ONU.


A BUSCA DESINTERESSADA DO CONHECIMENTO

               
Soul, todo mundo que estuda, faz faculdade, MBA, etc, não está em busca de conhecimento? Sim, mas essa busca não costuma ser desinteressada, ela costuma ter como foco principal, e muitas vezes único, a obtenção de dinheiro para sobreviver.  Mas, por qual motivo a busca do conhecimento deve ser desinteressada? Aqui a resposta será muito pessoal, e pode haver pessoas que simplesmente não concordam, mas creio que apenas a busca desinteressada pelo conhecimento pode nos permitir alcançar verdades mais profundas, bem como nos proporcionar prazeres que muitas vezes são muito superiores aos prazeres sensoriais. Como assim? Comecemos pelo deleite intelectual.

Minha mãe sempre me falava “Filho, não há nada melhor do que um prato de comida quando estamos com fome, uma cama arrumada quando estamos cansados, e uma privada limpinha quando queremos fazer o número 2”.  É difícil discordar. Quem já fez alguma trilha extenuante, como eu já fiz algumas, e depois de alguns dias comendo mal e dormindo desconfortável, chegar num lugar com um prato de comida, uma cama com lençol, e uma privada limpa, sabe que a sensação de prazer é imensa, maior  às vezes até do que o prazer proporcionado pela compra de um carro novo , o que apenas reforça  a ideia de como a satisfação está nas pequenas coisas da vida.

E o prazer sexual ? A toda evidência é sensacional e essencial para termos uma vida saudável. É tão importante que os indianos há milhares de anos atrás desenvolveram técnicas de como aumentar o prazer sexual (sim, é o Kama Sutra). Não há dúvidas que os prazeres sensoriais são prazerosos! Porém, há prazeres que apenas o nosso intelecto pode sentir, e eles costumam ser muito mais fortes e impactantes do que os prazeres sensoriais.

Alguém aqui pode conseguir imaginar o prazer que deve ter invadido o cérebro do Einstein quando ele teve os dois insight fundamentais para as duas teorias da relatividade? Eu não consigo nem imaginar o que ele pode ter sentido.  Para os leitores que não sabem quais foram os insights descrevo brevemente a seguir.  Para a teoria da relatividade especial (sim são duas teorias da relatividade, a primeira é restrita publicada em 1905, pois não incluía a gravidade, o que veio a se mostrar extremamente complexo de ser feito e demorou 10 anos para ficar pronta em 1915 e redundar na teoria geral da relatividade), Einstein se imaginou andando na mesma velocidade do que um raio de luz. O que acontece quando estamos na  mesma velocidade de algo? A impressão, se não tivermos outros referenciais, é que estaremos parados. Porém,  para as equações de Maxwell (um dos maiores físicos de todos os tempos,  o homem que unificou as teorias magnéticas e elétricas, e é por isso que falamos hoje em dia de força eletromagnética) funcionarem elas não admitem que a luz seja estacionária. Logo, se nós estivéssemos na mesma velocidade de um raio de luz, a luz não poderia estar "parada", pois senão todo o cabedal da física na época desmoronaria, e as equações de Maxwell cada vez mais explicavam com precisão inúmeros fenômenos.  Foi aí que o Jovem Einstein, um servidor público como eu, teve a brilhante ideia de que a velocidade da luz seria constante independente da velocidade dos objetos.  Esse conceito é extremamente esquisito, e simplesmente iria modificar a forma como a humanidade (pelo menos os cientistas que estão acostumados com o conceito) definiria tempo e espaço. Soulsurfer, estou me perdendo aqui, ajuda aí!   Imagine que você esteja dirigindo um carro a 50 km/h, e o carro de um amigo seu esteja parado. Quando você passar por ele, ele terá a impressão que você está a 50 km/h. Se ele começar a colocar o carro dele em movimento a 40 km/h atrás de você, ele não terá a impressão que você estará a 50 km/h, mas sim a 10 km/h (é uma simples subtração de vetores).  Isso é o nosso pensamento intuitivo. Einstein, contrariando até mesma a intuição básica humana,  disse que não importa se um objeto está parado,  ou a 300 mil Km/s (velocidade aproximada da LUZ), um raio de Luz sempre irá se afastar de qualquer objeto independente da velocidade relativa deste mesmo objeto a 300 mil Km/s. As implicações, que eu não vou discorrer mais por aqui, são profundas para o entendimento do universo.  Isso é tão extraordinário,  é tão difícil para mim imaginar como um homem pode ter tido um pensamento tão revolucionário e contra-intuitivo como esse, que a felicidade, o prazer que Einstein teve deve ter sido algo muito superior a qualquer prazer sensorial. E o segundo Insight? Bom,  o parágrafo está grande, e vou apenas dizer que teve a ver com ele entrando num elevador e imaginando o elevador caindo, numa outra ocasião falo mais a respeito.

Não precisamos ser geniais como Einstein para sentir o prazer intelectual. No primeiro capítulo do ótimo livro de outro sujeito genial “Elogio ao Ócio” do filósofo e matemático Bertrand Russel, o autor descreve uma cena bucólica de alguém comendo um abricó. Ao explicitar as características biológicas da fruta, a etimologia da palavra, e como esse conhecimento “sem utilidade prática” na verdade fazia que a experiência de comer um abricó fosse muito mais intensa. Quantos filmes, para dar um exemplo mais trivial, que percebo que a ausência de conhecimento torna a experiência frustrante, e a presença de conhecimento torna a experiência extremamente prazerosa. Um exemplo é o filme "Árvore da Vida" que para mim é simplesmente brilhante, pois eu vejo inúmeras referências científicas muito interessantes, e nem mesmo os críticos de cinema conseguiram notar todas elas, alguns apenas fazem menção ao Big Bang, mas aparece muito mais do que isso, até sobre a fase gigante vermelha do nosso sol o filme retrata, enfim é fantástico para mim, e a experiência fica bem mais agradável se a pessoa entende alguns conceitos de cosmologia e astronomia. Entretanto, percebo que para muitos outros foi um filme sem sentido.
 Nem Ronaldo, nem Neymar, esse aqui sim é o cara! James Clerk Maxwell uma das grandes mentes da ciência.
 Esse homem simplesmente mudou a noção de tempo e espaço, algo que é absolutamente intuitivo e quase natural para o homem. Além disso, ele foi, junto com Max Planck, o criador da física quântica (poucas pessoas sabem, mas Einstein ganhou o nobel de física por seu trabalho seminal em física quântica, não pela teoria da relatividade). Além do mais, era um filósofo, pensador e pacifista. Foi chamado para ser presidente de Israel quando o país foi criado, o que ele recusou. Para mim ele é, junto com Isaac Newton, um dos maiores cientistas de todos os tempos.
E você achando que o livro da década de 90 de Domenico de Masi era original (nenhuma crítica a obra, pelo contrário, pois gosto do livro "O Ócio Criativo")? Bertrand Russel já falava sobre isso na década de 40. Aliás, dos temas fundamentais para os humanos, não há nada que já não tenha sido discutido com profundidade por antigos pensadores. Daí a importância de lermos, há muitas perguntas que já foram respondidas há muito tempo.

Logo, se um ser humano consegue ter o privilégio de ter dinheiro para a sua sobrevivência, ele pode se aventurar na busca do conhecimento por verdades mais fundamentais, ou simplesmente saborear as experiências na realidade com mais “cor”, o que com certeza, pelo menos para mim, traz um prazer enorme. Esse é o meu maior objetivo com a minha Independência Financeira, a busca de conhecimento, e se puder ficar uns 40 dias num barco na Indonésia pegando ondas perfeitas e comendo sashimi todo dia, melhor né! J


AJUDA AO PRÓXIMO


Por fim, chegamos ao último objetivo do dinheiro.  A cabala,  grosso modo a parte mística do judaísmo, tem um conceito que acho lindíssimo: o conceito de Tsedaká. O que isso quer dizer (aviso que meus conhecimentos sobre o misticismo judaico são mínimos, apesar de já ter lido há uns 13 anos atrás os excepcionais livros do rabino Nilton Bonder)? Tsedaká é a possibilidade de fazermos transações justas com  os outros, e por via de consequência com o universo.  Quando situações onde possamos exercer a Tsedaká aparecem, os sábios costuma dizer que são verdadeiras bênçãos em nossas vidas.

É difícil definir esse termo, mas vou tentar resumi-lo com uma história minha quando eu tinha 16 anos e estava andando em direção ao dentista na minha cidade natal. Eu estava querendo ler o livro “O mundo de Sofia”, mas achava que o preço estava caro demais. Como não tinha encontrado o livro em nenhum sebo (sim eu gostava de sebos desde essa idade), eu estava decidido a comprar na livraria mesmo. Quando estava quase chegando ao dentista, reparei que havia uma pequena janela numa casa com alguns livros colocados a venda. E não é que o “Mundo de Sofia” estava lá? Eu vi que tinha uma placa dizendo que os livros iam ser vendidos para ajudar um lar de idosos. Perguntei quanto custava o livro. Uma Senhora me respondeu que por dois reais eu podia comprar. Nem acreditei na minha sorte. Mesmo em 1996, esse valor era muito baixo. Quando eu já tinha pagado e estava quase na esquina da rua, eu não sei, alguma coisa me disse para voltar. Eu voltei, e dei mais dez reais pelo livro (o que ainda faria que a aquisição fosse razoavelmente mais barata do que o livro na livraria). A senhora ficou tão feliz pelo meu ato gratuito de ser mais generoso, eu fiquei tão feliz com o que tinha feito, e provavelmente o universo ficou tão contente com a minha atitude, que anos mais tarde eu aprendi que tinha realizado uma Tsedaká. Eu tinha feito uma transação justa.

O exemplo é pequeno (e tenho certeza que os leitores tem histórias semelhantes, ou até mesmo de situações mais profundas), mas ele mostra a força desse conceito. Quando realizamos atos justos, de compaixão e caridade para quem necessita, os verdadeiros abençoados somos nós.  O prazer que sentimos ao poder ajudar os outros é às vezes muito maior do que a própria ajuda.  Logo, o dinheiro pode nos dar a oportunidade de realizarmos inúmeras transações justas, com uma enorme sensação de sentido e satisfação pessoal.

Ah, eu sabia! O Soulsurfer tem o germe do comunismo (hehehe)! Colegas, os biólogos evolucionistas há muito sabem que a esmagadora maioria das  espécies evoluiu e sobreviveu baseado na competição, mas também na cooperação e solidariedade.  A espécie humana não é diferente. Nós somos essa mistura de competição e individualismo com solidariedade e cooperação. Qualquer doutrina ideológica que tente atrofiar alguma dessas duas facetas (e creio que hoje estamos com prevalência forte do individualismo), apenas fará que o ser humano seja incompleto e infeliz. Logo, em minha opinião, e falando aqui na seara econômica, qualquer teoria que tente colocar em segundo plano a solidariedade, compaixão, está fadada a trazer menos satisfação para os humanos (pense numa teoria liberal extrema a La Nobel de economia Milton Friedman), aliás, não é o que vemos na nossa sociedade atual? Pessoas cada vezes mais insatisfeitas e depressivas, mesmo com consumos maiores. Por outro lado, qualquer teoria (pense em comunismo) que tente colocar em segundo plano a individualidade do ser humano, está fadada ao fracasso , como inúmeros exemplos históricos demonstram.

Portanto, a verdade como disse Buda geralmente está “no sagrado caminho do meio”. Quando temos a nossa sobrevivência, pelo menos do ponto de vista fisiológico, assegurada (e há pessoas maravilhosas que mesmo em situação de penúria ainda assim ajudam a outros humanos que possam estar em situação ainda mais desesperadora), o dinheiro pode servir para ajudar outras pessoas, para mitigar tanto sofrimento como as duas lamentáveis estatísticas que eu enumerei no começo do texto e repito aqui: a) metade da humanidade vive com menos de dois dólares por dia b) Dezenas de milhares de crianças morrem todos os dias, TODOS OS DIAS, por doenças tratáveis, por falta de acesso a saneamento básico e por fome.


 Um dos livros da trilogia do rabino Bonder (a cabala do dinheiro, a cabala da inveja e a cabala da comida). Eu li há muito tempo atrás, gostaria de reler agora com mais idade e maturidade.
Esse livro, que aliás é sensacional principalmente para adolescentes, -  Não dê mais um jogo para o seu filho de 15 anos, dê um livro como esse -, me fez pela primeira vez na vida sentir o prazer de realizar Tsedaká.

É isso aí colegas, as finalidades do dinheiro não são atingidas passo a passo (apesar de que quando as necessidades mínimas de um ser humano não são atendidas, fica difícil falar em busca de conhecimento desinteressado, afinal "ninguém filosofa de barriga vazia"). Elas podem ser alcançadas simultaneamente, o único passo necessário é abrirmos nossos olhos.


Trailer filme "Árvore da Vida". Alguns acham incompreensível, outros não gostam, eu acho um filme simplesmente fabuloso, nunca tinha visto nada parecido no cinema.


Grande abraço a todos!
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